Ana Beatriz Rodrigues
Turismo · ALNB
12 de abril de 2026

Crédito recorde alavanca década de ouro do turismo em Alagoas

Crédito da foto: Severino Carvalho

O Destino Alagoas deu um salto exponencial ao longo da última década. Dados da Secretaria de Estado do Turismo (Setur) apontam que, de 2016 a 2025, a atividade turística foi marcada por forte expansão da infraestrutura hoteleira, elevação do fluxo de visitantes e do faturamento. Nesse cenário, o acesso ao crédito assume papel preponderante para viabilizar novos investimentos, modernizar e ampliar a rede de empreendimentos.

A atividade turística foi o segmento alagoano que mais cresceu nos contratos de crédito do Banco do Nordeste (BNB) em 2025: incremento de184%em relação ao valor financiado no ano anterior. Em uma década, o salto foi ainda maior.

Os valores financiados para o setor em 2016 somaramR$35 milhões. Em 2025, bateram osR$315 milhões, ou seja, em 10 anos o montante disponibilizado cresceu800%, nove vezes o valor contratado no início da série histórica.

Ouvido peloAlagoas Notícia Boa (ALNB), o economista Cícero Péricles ressalta que o aumento do crédito do BNB se soma ao de outros bancos públicos e de instituições de desenvolvimento, a exemplo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que têm apostado no crescimento do turismo nordestino.

“Esse é um fenômeno regional e Alagoas se insere de maneira cada vez mais competitiva. No caso alagoano, reflete uma mudança estrutural importante, que foi a passagem de uma atividade econômica que, até o começo deste século, era vista como ‘potencial’ e que, depois de duas décadas seguidas de crescimento regular, se transformou num setor maduro, competitivo e cada vez mais demandante de investimentos”, avalia Péricles.

A taxa média de ocupação hoteleira em Alagoas comprova o crescimento robusto da atividade turística no estado. Em 2016, o indicador era de77,9%, índice já considerado positivo à época. Já em 2025, esse percentual subiu para81,6% e 90%agora em 2026, indicando não só maior procura, mas também melhor distribuição da demanda ao longo da rede.

O crescimento é ainda mais significativo quando se observa a capacidade instalada: o número de leitos saltou de18.149para54.616, um aumento superior a200%. No mesmo período, a rede hoteleira passou de161para922estabelecimentos.

O fluxo aéreo também acompanhou essa evolução. Em 2016, o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares registrou375.685desembarques nacionais e apenas124internacionais, uma presença ainda tímida no mercado externo. Em 2025, os desembarques nacionais chegaram a1.428.588, enquanto os internacionais alcançaram22.447passageiros.

Enquanto os desembarques nacionais cresceram cerca de280%entre 2016 e 2025, os internacionais deram um salto ainda mais expressivo, superior a18 mil%, o que sinaliza a crescente internacionalização de Alagoas como destino turístico.

Outro indicador relevante é o impacto econômico da atividade. Embora não haja um dado consolidado para 2016, estimativas de mercado apontam que a movimentação financeira foi significativamente inferior ao patamar atual.

Em 2025, a alta temporada injetouR$ 2,6 bilhõesna economia alagoana,R$ 600 milhõesa mais do que no ano anterior, resultado do aumento no fluxo de turistas, da ampliação da permanência média e da diversificação da oferta de serviços.

Para a ex-secretária de Estado do Turismo, Bárbara Braga, que deixou o cargo no dia 3 de abril, o avanço da atividade turística alagoana é resultado de uma combinação de investimentos em infraestrutura, promoção do destino, qualificação da oferta turística e acesso ao crédito, que posicionam o estado em um novo patamar de competitividade no cenário nacional e internacional.

“O Governo do Estado lançou o Crédito do Trabalhador do Turismo, em sua primeira etapa, com mais deR$11 milhõesdisponibilizados para toda a população alagoana que trabalha dentro do segmento turístico para que possa não só investir, como também reinvestir em seus negócios. Isso tudo alinhado ao caráter de sustentabilidade com créditos que chegam até aR$400 mil”.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Alagoas (ABIH/AL), Gabriel Cedrim, reconhece que é fundamental contar com o apoio das instituições financeiras, detentoras de taxas de juros diferenciadas para o setor.

“Os bancos de fomento são capazes de mapear quais são as principais atividades econômicas de cada região e fomentá-las com juros que trazem menos risco ao empresário, fazendo com que os investimentos nesses setores se deem de forma muito mais forte, muito mais acelerada”, considera Cedrim.

O Banco do Nordeste (BNB) disponibilizou, em 2025,R$315 milhõesem financiamentos às atividades ligadas ao turismo alagoano. O montante representa um incremento de184%a mais em comparação com 2024, quando a instituição financeira operacionalizouR$111 milhõesem recursos contratados.

De acordo com o BNB, esse aumento percentual é o maior entre os demais setores econômicos que também obtiveram elevação do crédito da instituição em Alagoas.

O superintendente do banco no estado, Sidinei Reis, afirma que a instituição financeira tem acompanhado o crescimento da atividade turística, o que, naturalmente, reverbera na demanda por créditos.

“Ainda ontem eu estava olhando o site da Embratur e especificamente em Alagoas está havendo um boom do crescimento do turismo. A gente percebe que a disponibilização de novos voos internacionais também colabora, assim como a divulgação de Alagoas como um dos destinos turísticos mais procurados do país. Isso naturalmente atrai os turistas e investidores. E o banco se coloca à disposição para apoiar todos os investimentos que demandem crédito da instituição”, disse Reis aoALNB.

Ele explica que as linhas de crédito do BNB, destinadas às atividades turísticas, utilizam os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

“O carro-chefe do Banco do Nordeste é o FNE, fundo que tem a melhor condição do mercado e que provém da arrecadação do imposto de renda e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Para você ter uma ideia, o nosso crédito para investimento em meio de hospedagem tem um prazo que vai até 20 anos de financiamento. A carência é de até 5 anos. Então, isso por si só, já é um grande diferencial em relação às outras linhas de crédito do próprio banco, que já são superiores, já são melhores do que as oferecidas pelo mercado”, citou o superintendente.

De acordo com ele, dosR$315 milhõesdisponibilizados no ano passado pelo banco,78% dos recursosforam destinados à implantação de novos empreendimentos turísticos.

“Além dessa linha convencional para implantação e modernização, também disponibilizamos crédito para relocalização, aquisição de imóveis e inovações”, citou.

Os municípios que mais contrataram crédito destinado ao turismo foram, em ordem decrescente,Porto de Pedras, Maceió, Passo de Camaragibe, Japaratinga e Maragogi.  Isso demonstra a expansão da atividade no Litoral Norte do estado, uma vez que, à exceção de Maceió, todos os demais destinos ficam na região turística da Costa dos Corais.

Já as atividades que mais obtiveram valores financiados pelo banco foram:meios de hospedagem, bares e restaurantes, agências de viagens, receptivos e transportes turísticos.

Segundo Reis, a expectativa para este ano é mais do que dobrar o valor disponibilizado em créditos para o setor em Alagoas.

“Só no ano passado foram113 operações, ou seja, 113 beneficiários do crédito para o setor de turismo aqui em Alagoas. Nossa expectativa para 2026 é ainda maior: a gente espera que o crescimento seja no mínimo de100%.Então passaremos dosR$600 milhõesde forma confortável com demanda de crédito para todos os empreendedores”, assegura o superintendente do BNB.

De acordo com o Observatório do Turismo de Alagoas, a rede hoteleira do estado possui atualmente955meios de hospedagem com22.368unidades habitacionais. Cerca de20empreendimentosestão em construção, informa a Setur.

A Pousada Villa Marceneiro Beach, em Passo de Camaragibe, fica no Litoral Norte de Alagoas. A região é conhecida como Rota dos Milagres, inserida na Costa dos Corais, uma das áreas turísticas que mais se desenvolvem em Alagoas, impulsionada por belezas naturais buscadas por um público nacional e internacional de alto poder aquisitivo.

A Villa Marceneiro é gerenciada por Cássio Tenório, 47 anos. Educador físico por formação e hoteleiro por paixão, o alagoano de Maceió começou na atividade turística trabalhando em operadoras e agências de viagens da capital.

A história da família de Cássio na hotelaria é similar à de muitas outras por lá: conheceram a região da Costa dos Corais como turistas, se apaixonaram pelo lugar e vislumbraram oportunidades de negócios. São empreendedores que, cansados da vida agitada nas capitais, buscam viver na tranquilidade e da tranquilidade.

De turistas, passaram à condição de investidores imobiliários. Das casas alugadas por temporada, tornaram-se hoteleiros. Surgia, há 11 anos, completados em fevereiro, a Villa Marceneiro Beach. São 18 suítes e um público econômico que deseja aproveitar a requintada Rota dos Milagres sem ter que gastar muito.

“Nosso público não quer gastar muito em hospedagem, porém, exige uma estadia que atenda às necessidades: um bom quarto, um bom café da manhã, para poder explorar o destino, fazer os passeios às piscinas naturais, ao Santuário do Peixe Boi, tudo que a Rota dos Milagres oferece. O tíquete médio do casal aqui na pousada é de R$300. É um bom valor para a região que ficou famosa por ser um destino de luxo, principalmente voltada para casamentos”, conta Tenório.

Mas a era tecnológica impõe desafios. Em uma década, o mundo experimentou inúmeras transformações: equipamentos sofisticados, mais eficientes e com conexão nativa à internet são alguns dos exemplos. A pousada teve de se modernizar.

Foi aí que surgiu a necessidade de capital para a troca dos televisores por Smart TVs, e dos aparelhos de ar-condicionado e refrigeradores convencionais para equipamentos com a tecnologia Inverter, que resulta em até 60% menos consumo de energia, menor ruído e maior vida útil do aparelho. Era necessário também trocar todo o mobiliário e o enxoval da pousada.

A partir da visita do Agente de Desenvolvimento do Banco do Nordeste para o Litoral Norte, Roberto Gitaí, o gerente tomou conhecimento das linhas de crédito para a modernização do empreendimento.

“O agente veio aqui, muito atencioso. Inclusive criou um grupo no WhatsApp com os principais empresários da região, onde sempre está alimentando com informações referentes ao crédito”, contou.

Depois dos trâmites, a pousada já conta com recursos assegurados para iniciar a transformação que o mercado exige.

“Praticamente todo o investimento que foi feito na pousada até hoje foi com recursos próprios: a construção, a compra de equipamentos, tudo. Por isso que levou muito tempo, na verdade, para a gente finalizar toda a obra. Agora está mais fácil, mas antigamente a gente ia buscar o crédito, e era muita exigência. Nossa primeira linha foi o Pronampe, da Caixa Econômica, para capital de giro. E agora o Banco do Nordeste para modernização”, revela Tenório.

Arlindo Lins de Melo, 68 anos, e Jeferson Henrique Pinto de Sousa, 34, têm histórias de empreendedorismo parecidas, apesar da diferença de idades. São maragogienses e já trabalhavam com o turismo, no ramo de alimentos e bebidas.

Eles testemunharam, e mais do que isso: são protagonistas do desenvolvimento econômico de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas. Agora decidiram investir na hotelaria.

Com mais de 90% das obras já executadas (outra coincidência), as pousadas que estão edificando devem entrar em operação nos próximos meses, elevando ainda mais a capacidade da rede hoteleira do município, um dos destinos mais buscados do país por turistas nacionais e internacionais.

A rede hoteleira de Maragogi deu um salto vertiginoso de215%entre os anos de 2018 e 2026. Segundo dados da Secretaria Municipal de Turismo, o destino possuía naquele ano5.070 leitoscontra cerca de16.000disponibilizados atualmente. Isso significa que a capacidade de hospedagem mais que triplicou no período.

Ainda de acordo com o município, são cerca de300 estabelecimentosregularizados e4.500 unidadeshabitacionais.Quinze empreendimentosencontram-se em construção, dentre os quais as pousadas de Arlindo e de Jeferson que, juntas, devem gerar cerca de60 empregosdiretos e reforçar a rede hoteleira com mais70 unidadeshabitacionais.

“Eu já trabalhava no ramo da hotelaria, tenho um restaurante de comida japonesa e uma franquia de milk-shake. Então vi no avanço da cidade uma oportunidade de crescer ainda mais, por isso entrei na hotelaria”, revela Jeferson, que aponta a construção do Aeroporto Costa dos Corais, em Maragogi, como fundamental para turbinar ainda mais o turismo no município, e em toda a região turística da Costa dos Corais.

“Com a chegada do Aeroporto de Maragogi a expectativa é de que o fluxo turístico cresça ainda mais, sem dúvidas”, atestou.

No início de março, o governador Paulo Dantas anunciou, para o primeiro semestre deste ano, a entrega da primeira etapa do Aeroporto Costa dos Corais, que está sendo construído pelo Governo de Alagoas. Depois de pronto, a ideia é conceder o equipamento à iniciativa privada.

“Eu acredito que o Aeroporto de Maragogi vai sair e quando isso acontecer, o turismo vai dar uma alavancada ainda maior”, acredita Arlindo, que iniciou na atividade turística de Maragogi com a abertura, em 2013, de um restaurante e uma agência de viagens.

Prontos para alçar voos na hotelaria, Arlindo e Jeferson contam com um impulso potente: o crédito. Eles tiveram recursos operacionalizados pelo Banco do Nordeste (BNB) para aquisição do mobiliário e de equipamentos como aparelhos de ar-condicionado, de áudio e vídeo, refrigeradores e até elevador.

“Como a minha pousada terá 28 unidades habitacionais e quatro andares, acho importante ter um elevador. É um diferencial aqui na orla, poucas pousadas têm, principalmente porque garante conforto e acessibilidade. Então uma parte do crédito que a gente tomou, cerca demeio milhão de reais, foi para aquisição de equipamentos, dentre os quais a compra e instalação do elevador”, revela Jeferson, destacando a importância do prazo de carência para iniciar o pagamento do crédito.

“A carência foi de um ano. É importante pra gente colocar o equipamento em funcionamento e começar a pagar o investimento que fizemos”, destacou.

A turista Luzia de Souza Marques é de Barra Mansa, Rio de Janeiro. Ela desembarcou em Maragogi onde ficou hospedada. Afirma que a diversificação da rede hoteleira favorece o bolso do visitante, que tem opções econômicas a escolher.

“Não tive dificuldade de encontrar hotel, tem bastante opção. Achei até um preço bom. A concorrência ajuda a baratear o preço”, constatou.

O Litoral Norte de Alagoas, região que mais contratou crédito destinado ao turismo, foi também a escolhida pelo Banco do Nordeste (BNB) para receber o primeiro Programa de Desenvolvimento Territorial (Prodeter) de atividade urbana no estado. O lançamento aconteceu em junho do ano passado, em São Miguel dos Milagres.

O Agente de Desenvolvimento do Banco do Nordeste para o Litoral Norte de Alagoas, Luiz Roberto Gitaí, explica que para além do crédito, é necessário atuar na estruturação do setor do turismo. É aí que entra o Prodeter.

A iniciativa promove, por meio de parcerias, ações de capacitação, inovação, introdução de novas tecnologias, pesquisa, entre outras.

“O Prodeter é uma estratégia do Banco do Nordeste para contribuir com o desenvolvimento territorial e local, por meio da organização, fortalecimento e elevação da competitividade e da cooperatividade nas atividades econômicas da sua área de atuação. Diferente de crédito direto, ele atua na organização da cadeia produtiva”, explica Gitaí.

Ele revela que dosR$315milhõesdisponibilizados em créditos pelo BNB para todo o estado, no ano passado, cerca deR$204 milhões(65%)foram destinados ao Litoral Norte de Alagoas.

“O Banco do Nordeste atua como principal financiador do turismo na região por meio do FNE, especialmente o Proatur, oferecendo condições atrativas como longo prazo e carência. Além disso, promove o desenvolvimento territorial via Prodeter, integrando atores locais e estruturando a cadeia produtiva”, pontua.

“No Litoral Norte de Alagoas, o turismo apresenta elevado potencial de crescimento, com forte atração de investimentos, expansão da rede hoteleira e valorização internacional, consolidando-se como um dos principais polos turísticos do Nordeste”, acrescenta.

O gerente de Desenvolvimento Territorial do BNB em Alagoas, Manoel Roberto Muniz, informa que a metodologia do programa já foi expandida para o Litoral Sul, Baixo São Francisco e Agreste alagoanos.

A estratégia contribui para a promoção da interiorização do turismo, uma das prioridades das políticas públicas do Ministério do Turismo e da Secretaria de Estado do Turismo (Setur).

“Nós também estamos chegando com o Prodeter à região de São Miguel dos Campos para fomentar a economia circular. Entendemos também que essa é uma atividade muito importante do ponto de vista ambiental e inclusiva no que se refere aos catadores e às cooperativas, que atuam com a reciclagem”, revela Muniz.

No Agreste alagoano, região que desponta para o turismo com a Rota da Cachaça, o desenvolvimento territorial envolve a participação dos agentes locais por meio da Instância de Governança do Agreste (IGR-Agreste).

“As Instâncias de Governança são constituídas pelo setor privado, pelo poder público e pela sociedade civil. Então, junto com esses empresários, a gente trabalha o associativismo e também o acesso ao crédito. Temos o Banco do Nordeste e a Desenvolve como parceiros”, informa a presidente da IGR-Agreste, Evânia Albuquerque.

“O Agreste de Alagoas tem um imenso potencial, dada à diversidade cultural, artística e gastronômica existentes. Esses aspectos são trabalhados na dinâmica do Prodeter, através de eventos em parceria com a Instância de Governança, o Sebrae, dentre outros parceiros”, destaca o Agente de Desenvolvimento do BNB para a região, Claudevan Santos.

O administrador de empresas Milton Vasconcelos é diretor da MME Hotéis – atualmente a maior rede hoteleira de Alagoas. São 1.210 apartamentos distribuídos em seis hotéis e resorts. Em entrevista aoAlagoas Notícia Boa (ALNB), ele fala como o acesso ao crédito estruturado foi decisivo para elevar o padrão da hotelaria alagoana e consolidar o estado como um dos principais destinos turísticos do país.

Um dos empreendimentos da MME Hotéis é o Maceió Mar All Inclusive Resort, localizado na Praia de Ipioca, Litoral Norte de Maceió. Em operação desde fevereiro de 2023, o equipamento recebeu investimento total de R$120 milhões, sendo R$50 milhões financiados pelo Banco do Nordeste (BNB), por meio da linha FNE-Proatur. Possui 278 apartamentos e emprega 390 pessoas.

De acordo com Vasconcelos, os recursos foram destinados à construção e implantação do resort, incluindo aquisição de equipamentos, mobiliário e toda a estrutura necessária para a operação.

“O acesso ao crédito estruturado, juros atrativos e longo prazo pra amortização é um dos principais pilares para o desenvolvimento sustentável do turismo no Brasil. No caso de Alagoas, e no meu caso, esse instrumento foi decisivo para elevar o padrão da hotelaria e consolidar o estado como um dos principais destinos turísticos do país”, afirma Vasconcelos.

Ele observa que a manutenção e a conservação dos hotéis existentes, aliadas à chegada de novos empreendimentos de qualidade, são fundamentais para o fortalecimento do destino turístico como um todo. A constante renovação da oferta agrega valor e mantém a competitividade, pontua.

“Atualmente, Maceió e Alagoas são reconhecidas pela qualidade de seus meios de hospedagem, especialmente quando comparadas a outros destinos do Nordeste. Para sustentar esse padrão, é essencial que o setor tenha acesso a crédito com condições atrativas”, considera.

O hoteleiro lembra que o Brasil passou décadas com o desenvolvimento do turismo aquém de seu potencial, em grande parte pela dificuldade de acesso a crédito com taxas compatíveis com o risco do investimento.

“Empreendimentos hoteleiros possuem, em média, prazo de retorno de aproximadamente 10 anos, um horizonte longo. Juros elevados ampliam ainda mais esse prazo, desestimulando novos investimentos”, observa, destacando as condições ofertadas pelas linhas de crédito oferecidas pelo BNB.

“Nesse contexto, o papel do Banco do Nordeste é fundamental. Condições como período de carência durante a obra, prazos longos de amortização e taxas de juros competitivas são decisivos para viabilizar projetos. Apesar de ainda haver, em alguns casos, burocracias excessivas e pouco eficientes, a atratividade das condições compensa. Inclusive, já tive experiências com outras instituições financeiras onde, mesmo com menor burocracia, não havia ganho proporcional em segurança para o banco”, confessa.

Para Vasconcelos, o crescimento da atividade turística em Alagoas, sobretudo da hotelaria, é reflexo de um dever de casa bem executado, o que não é simples, na avaliação dele, considerando as diversas frentes que envolvem o desenvolvimento sustentável do turismo: segurança, limpeza, ordenamento urbano, balneabilidade das praias, saneamento, promoção do destino, mobilidade, entre outros fatores.

“Cuidar da experiência dos visitantes é fundamental para consolidar o destino, incentivando que aqueles que nos visitam compartilhem percepções positivas”, ressalta.

Ele destaca também a união entre as associações que compõem o trade turístico alagoano.

“Existe maturidade no entendimento de que o destino deve estar acima de qualquer produto individual. Outro ponto relevante é a parceria entre os setores público e privado: uma construção conjunta, com escuta ativa e contínua, que tem contribuído significativamente para os avanços. Naturalmente, sempre há espaço para melhorias, e seguimos trabalhando nesse sentido”, conclui.

O turismo é uma atividade que beneficia toda uma uma cadeia de negócios. Vai do vendedor de coco na praia ao motorista por aplicativo, passando pelo dono do hotel. Atentos, os bancos, como agentes de desenvolvimento, enxergam essa atividade em constante expansão.

OAlagoas Notícia Boa (ALNB)ouviu empresários do ramo hoteleiro que testemunharam o “boom” no turismo e que tiveram bons motivos para continuar investindo em algo que o estado de Alagoas sabe fazer muito bem: acolher as pessoas.

Nos últimos 10 anos, Alagoas, especialmente Maceió, vem conquistando posições estratégicas nas buscas dos principais sites de agências de turismo como Omnibess, CVC, Azul, Decolar e Associação Brasileira das Operadoras de Turismo, (Braztoa).

No início deste mês, a plataforma Omnibees trouxe Alagoas em 2º lugar no ranking de destinos mais procurados para lazer em 2025. A maior parte dos turistas é procedente da região Sudeste e Sul do país.

Outro dado que virou manchete foi divulgado em outubro de 2025, pela edição especial sobre turismo da PNAD Contínua, ligada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), mostrando que Alagoas é o estado do Nordeste onde o turista gasta mais com a viagem.

De acordo com o levantamento, cada visitante que permaneceu ao menos uma noite no estado desembolsou, em média,R$366por dia. A pesquisa também apontou que os turistas gastam em torno de R$3.790 durante suas estadas.

Pensando na alta demanda exigida pelo mercado, o setor de crédito também vem chegando junto para facilitar acesso a recursos e oferecer melhores condições para quem já empreende ou quer empreender no segmento.

O Banco do Nordeste (BNB), por exemplo, tem uma linha de financiamento de atividades ligadas ao turismo chamada FNE-MPE TURISMO. Esta opção de crédito é destinada a microempresas, empresas de pequeno porte do setor de turismo, e utiliza os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE).

De acordo com José Junior Pessoa, gerente da Agência do Banco do Nordeste de Delmiro Gouveia, o programa financia diversos empreendimentos. A região é uma das que mais crescem turisticamente em Alagoas, impulsionada pelos passeios aos Cânions do São Francisco e pelo turismo histórico e cultural, a exemplo de Piranhas.

“A linha de crédito é destinada à aquisição de bens de capital, implantação, modernização, reforma, relocalização ou ampliação de empreendimentos turísticos. A oportunidade também contempla o capital de giro desses empreendedores. A ideia é que essa linha ofereça juros muito mais baixos”, explica, acrescentando que o financiamento pode chegar a até 100% do valor do investimento.

O Governo de Alagoas também entendeu o crescimento do turismo e passou a oferecer benefícios para quem é empreendedor no ramo e que gera emprego e renda para milhares de alagoanos. É o chamado Crédito do Trabalhador do Turismo, lançado em maio de 2023.

A linha é ofertada pela Agência de Fomento de Alagoas (Desenvolve), por meio de recursos oriundos do Fundo Geral do Turismo (Fungetur). A iniciativa beneficia Microempreendedores Individuais (MEIs ), Microempresas (MEs), Empresas de Pequeno Porte (EPPs ) e Sociedades Limitadas (LTDAs ) de todo o segmento do turismo alagoano.

São operacionalizadas pela Desenvolve, no formato de crédito individual. O grande diferencial é o custo da operação, que conta com uma taxa subsidiada indexada ao INPC e à isenção total de IOF, garantindo que o recurso chegue ao caixa da empresa de forma muito mais barata do que as linhas de mercado tradicionais.

Além da economia financeira, o empresário conta com um prazo de até96 mesespara quitação e uma carência parcial de 6 meses. Cada CNJP pode contar com limites de atéR$1 milhão.

De acordo com o gerente de Crédito Empresarial da Desenvolve, Erik Silva, a linha de crédito vem sendo bastante procurada.

“Os empreendedores e empresários do trade turístico de Alagoas vêm procurando informações da linha de crédito constantemente, onde atualmente temosR$3,9 milhõesem proposta para análise. Nós temos taxas de juros bem menores daquelas praticadas no mercado, possibilitando aos empreendedores e empresários do trade turístico uma folga de caixa para o período de baixa temporada, promover ajustes/manutenções nos empreendimentos bem como gerar emprego e renda para a população”, disse.

A Desenvolve percebeu uma procura maior da linha de crédito ano após ano. O auge das liberações ocorreu em 2021 durante a Pandemia do COVID-19. Nos últimos dois anos, a Desenvolve investiu mais deR$8 milhõesem pequenos negócios.

Uma das beneficiadas pelo programa é Cíntia Bastos, que trabalha como fotógrafa nos principais centros turísticos de Maceió. Ela acredita que iniciativas como o Crédito do Trabalhador do Turismo são fundamentais para que os pequenos empreendedores possam investir e oferecer um serviço de qualidade.

“O maior desafio para mim, e acredito que para muitos outros colegas, era ter um capital de giro onde pudesse investir sem me apertar e ficar no vermelho. A consultora, muito gentil, me explicou sobre o crédito e falou da facilidade para quem é MEI”, conta.

Os planos de Cíntia foram de comprar equipamentos fotográficos para poder captar imagens dos turistas e também para completar a renda realizando cobertura de aniversários, ensaios fotográficos e outros eventos.

“Alagoas é um estado turístico, e até os turistas brincam falando que moramos onde eles tiram férias. Somos privilegiados com tanta beleza. Eu acredito que sim: vamos crescer ainda mais devido a tantas melhorias no estado. O setor de turismo cresce com os serviços e os empreendedores mais habilitados. O crédito é importante por nos possibilitar melhorias em equipamentos e materiais que atendem à necessidade do turista. Eles buscam qualidade e conforto”, pontua Cíntia.

Em 1989, a orla da Pajuçara era o cenário onde um menino de apenas 13 anos começava a sua lida no mar. Claudevan Januário da Silva, hoje amplamente conhecido no setor como “Vando Tour”, iniciou sua trajetória ajudando um primo em uma pequena jangada-bar.

Três décadas depois, sua história se tornou o exemplo vivo de como o acesso ao crédito desburocratizado é o combustível que faltava para transformar trabalhadores autônomos em empresários de sucesso.

Após anos divididos entre a areia da praia e a gestão hoteleira, onde buscou qualificação técnica, Vando retornou definitivamente ao mar em 2016. No entanto, o mercado mudou. O surgimento de novas experiências, como o “Banho de Lua”, trouxe uma demanda por embarcações maiores, mais confortáveis e seguras.

“Percebi que estava ficando para trás”, relata o guia. “A procura pelo passeio noturno cresceu e os modelos de embarcações que vinham de outras regiões, como São Miguel dos Milagres, começaram a dominar a enseada. O turista já não queria apenas a jangada à vela para esse tipo de experiência”, conta Claudevan.

O obstáculo era financeiro: como competir com grandes estruturas sem um capital de giro imediato? A solução veio através da Desenvolve. Em novembro de 2025, Claudevan deu o primeiro passo ao buscar informações sobre as linhas de crédito específicas para o turismo.

Após organizar a documentação com o suporte da instituição, o crédito foi liberado em março deste ano.

“Preparei a documentação e, no dia 25 de março, o crédito foi liberado. Imediatamente, adquiri a embarcação de que precisava, utilizando o valor do crédito como entrada e parcelando o restante”, lembra Claudevan.

Os números mostram a escala do crescimento. A capacidade de atendimento de Claudevan saltou de 6 para 18 lugares. Mas o avanço não foi apenas quantitativo. Com mais espaço e estabilidade, ele transformou o simples deslocamento em uma experiência gastronômica flutuante.

“Atualmente, meu trabalho está muito mais completo. Tenho espaço para oferecer drinks aos passageiros, além de servir queijo assado e frutos do mar ainda na embarcação”, celebra o empreendedor.

Para Claudevan e Cíntia, as linhas de crédito mostram que existem órgãos que pensam em facilitar o acesso ao crédito para quem atua direta ou indiretamente no setor.

“Isso abre portas para que famílias vivam com mais dignidade, além de fortalecer o turismo, que é a principal indústria de nossa cidade e estado. Meu próximo passo é adquirir uma van de turismo para realizar roteiros culturais ao fim de tarde, proporcionando momentos memoráveis para visitantes e alagoanos, e sei que tem quem me apoie”, finaliza.

No vídeo abaixo, representantes dos setores público e privado falam como o acesso ao crédito e outras ações fizeram o Destino Alagoas dar um salto quantitativo e qualitativo entre 2016 e 2025.

O turismo em Alagoas atravessa um momento de consolidação e expansão, impulsionado por uma combinação de fatores que vão desde o aumento da demanda nacional até a maior inserção do destino nos mercados regional e internacional.

Nesse ambiente, o acesso ao crédito tem se firmado como um dos principais vetores para viabilizar investimentos, modernizar empreendimentos e ampliar a infraestrutura, acompanhando o ritmo de crescimento de uma atividade que deixou de ser promessa para se tornar um dos pilares da economia alagoana.

Para compreender o papel estratégico do crédito nesse processo, os impactos desse crescimento e os desafios que ainda se impõem para o futuro da atividade turística, o portalAlagoas Notícia Boa (ALNB)conversou com o economistaCícero Péricles.

Na entrevista, ele analisa a evolução do setor, destaca os avanços das últimas décadas e aponta caminhos para o turismo no estado.

O crédito para o turismo alagoano tem importância vital, sobretudo em um contexto de crescimento. Em momentos de expansão, é essencial para viabilizar novos investimentos, modernizações e ampliações da infraestrutura turística.

Outro ponto é que o setor ainda convive com oscilações de demanda, especialmente nos meses chuvosos, quando o fluxo de visitantes se retrai. Embora essa variação na chamada “baixa estação” já não tenha a mesma intensidade de décadas atrás, ainda impacta o desempenho da atividade.

Além disso, para manter e fortalecer sua posição no cenário regional – hoje como o quarto destino mais procurado do Nordeste, atrás de Bahia, Pernambuco e Ceará -, o turismo alagoano precisa ampliar sua estrutura e elevar seu padrão de qualidade, fatores que dependem diretamente da disponibilidade de crédito.

O papel do BNB é relevante por se tratar de um banco federal com atuação regionalizada e linhas específicas voltadas ao desenvolvimento do turismo.

Esses recursos viabilizam novos projetos, modernizam empreendimentos já existentes e estimulam toda a cadeia produtiva, especialmente em municípios onde o turismo exerce papel central, como em localidades litorâneas e áreas às margens do Rio São Francisco.

O turismo alagoano cresceu a partir de uma combinação de fatores nacionais e locais que, ao longo de duas décadas, impulsionaram o setor. No plano nacional, destacam-se a elevação da renda média dos brasileiros, a popularização dos pacotes turísticos e a ampliação da malha aérea conectando as capitais do Nordeste.

Esses fatores, de forma integrada, fizeram com que o número de desembarques no Aeroporto Zumbi dos Palmares saltasse de 200 mil passageiros, em 2000, para 1,4 milhão no ano passado.

No plano local, esse cenário foi potencializado pelos investimentos na hotelaria alagoana, que triplicou de tamanho em menos de duas décadas. Soma-se a isso o avanço na qualidade dos serviços, a profissionalização da gestão das empresas do setor e a maior promoção do destino Alagoas nos mercados nacional e internacional.

Embora o crédito seja fundamental, o desenvolvimento do turismo depende de outros elementos estruturais. Ainda hoje, a atividade em Alagoas está fortemente concentrada no produto litorâneo (sol e mar), que enfrenta concorrência direta de outros estados nordestinos com ofertas semelhantes.

Para o futuro, o estado já dá passos importantes em direção à sustentabilidade do setor, o que passa pela interiorização da oferta, pela diversificação das atividades e pela internacionalização do público.

Nesse contexto, será necessário avançar na formação de mão de obra – um dos principais gargalos -, na melhoria e conservação ambiental e na incorporação de novos segmentos, como o turismo cultural, de aventura e ecológico.

Essas iniciativas podem valorizar o patrimônio histórico e social do estado e contribuir para uma melhor distribuição de renda entre as regiões. A internacionalização também se apresenta como um caminho estratégico, ampliando o fluxo de visitantes estrangeiros e diversificando a demanda.

A economia alagoana tem no setor de serviços e comércio cerca de 70% do seu Produto Interno Bruto (PIB), e o turismo é um dos segmentos mais relevantes dentro desse conjunto.

Destaca-se por sua visibilidade e pela capacidade de dinamizar diversas atividades econômicas associadas, como a gastronomia e o transporte. Apesar de sua importância crescente, ainda não atingiu todo o seu potencial na estrutura econômica do estado.

A tendência, no entanto, é de continuidade desse crescimento. Uma evidência disso foi a rápida recuperação no período pós-pandemia, quando o setor retomou suas atividades plenas mais rapidamente do que em outros estados nordestinos.

Nos próximos anos, ganhando maior peso, o turismo deve se consolidar como um dos segmentos modernos da economia alagoana, ocupando posição semelhante à de outros setores dinâmicos, como a construção civil e o comércio atacadista.

Publicado em 12 de abril de 2026.

Produção, texto e edição: Severino Carvalho e Ana Beatriz Rodrigues

Severino Carvalho, Ascom Desenvolve, arquivo pessoal e assessoria.

Roteiro e imagens: Severino Carvalho

Edição de vídeo e legendas: Ana Beatriz Rodrigues

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